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Tecnologia e humanização

Olá, pessoas!

Gostaria de falar sobre um filme, de ficção, que vi nesse final de semana. Ah, algumas pessoas vão dizer: “- Mas William, esse filme é antigo, cheio de exageros… quase trash!”, mas não quero abordar o filme em si e sim um tema intrínseco – a tecnologia e a humanização.

O filme é sobre uma mulher que por acidente é obrigada a transportar uma nova droga em seu abdome. O pacote se rompe e ela absorve um pouco da droga. Invés de morrer, seu cérebro começa a ativar mais do que 10% de sua capacidade (sim, eu sei que é um mito), dando a ela poderes como telecinese, telepatia, aprender muito rápido etc. A moça se transforma em um computador quântico.

Vivemos em uma era onde tudo está praticamente conectado a todos, todos a todos e todos a tudo. A informação viaja na velocidade da luz, e está em todos os lugares – não há desculpas para não ter acesso, mesmo sendo precário e caro.

O filme em questão, Lucy, com Scarlet Johansson, é explícito em mostrar como as consequências da informação ser acessada de forma independente e o quanto a tecnologia poderá impactar nas várias formas de comunicação e na capacidade do ser humano continuar humanizado, harmoniosamente.

No primeiro momento em que Lucy aparece no filme, ela é remetida ao estado praticamente catatônico da sua vida, estreitada pela rotina e com prioridades aquém de suas necessidades – uma vida em câmera lenta. Diante da pressão, ser empurrada escada acima (ou abaixo) parece ser uma ótima opção. Entre altos e baixos, só há um foco durante todo o filme: a informação, de sua análise até a utilização completa.

Hoje, o algoritmo do Facebook consegue nos apresentar uma lista de pessoas que tiveram contato conosco, sendo amigos pessoais ou conhecidos, e que há tempos não vemos. Ele consegue deduzir praticamente qualquer coisa com base em seu feed. Podemos chamar os dados coletados pelo Facebook simplesmente de Big Data e a análise de Big Data Analytics.

O Google consegue identificar epidemias com maior agilidade e precisão que qualquer outro órgão com base nas pesquisas realizadas e dados coletados de GPS e vários outros meios. Eles sabem dos seus segredos… até melhor que você mesmo!

Com base em Big Data, temos a internet das Coisas, onde tudo está conectado. Se você possui um smartphone e uma smart TV, deve ter percebido que ambos conversam e trocam dados ao solicitar que o filme da Netflix inicie na TV, sendo controlado pelo smartphone. Agora imagine geladeiras, lavadoras de roupa, automóveis, chuveiros… todos conectados à internet e automatizados com base em seus costumes, trabalhando com análise de Big Data. Você sai do trabalho e o seu automóvel marca o caminho no GPS para casa. Enquanto isso, seus utensílios, como chuveiro por exemplo, entrarão em atividade para fornecer o conforto de chegar em sua residência e encontrar talvez o jantar pronto ou uma banheira com água já aquecida. É… Lucy “existe” e está engatinhando! Mas qual o limite? Ainda não sabemos… e fico com medo do futuro.

Um jogo chamado No Man’s Sky, ainda por ser lançado para plataformas PC, XBOX One e PlayStation 4, nos traz assustadoras informações sobre como um computador pode conter um universo simulado. Nesse jogo de exploração espacial temos 18 quintilhões de planetas, cada um com fauna e flora próprias. Estima-se que são necessários 350 bilhões de anos para explorar todos os planetas. Se cada ser humano descobrir 500 planetas por minuto, levaremos 10 anos – Haha! Fácil…! Elon Musk, CEO da Tesla Motors disse que podemos não estar vivendo na realidade-base devido a rápida evolução tecnológica que estamos passando, que podemos estar vivendo em um tipo de simulação; alguma força age acelerando o processo. Estamos, como homem inteligente, neste planeta Terra há 12 mil anos e somente agora a mágica acontece?

Lucy, esta personagem fictícia, acaba por se tornar tudo e nada ao mesmo tempo, detendo todo o conhecimento do universo, estando em toda parte e deixando de existir na malha do espaço/tempo atual.
Em Matrix, Neo, o personagem principal, experimenta o poder da informação inerente ao sistema, onde ele próprio molda o “sistema” e refaz a sua própria imagem com os dados que lhe são fornecidos. Dessa forma, ele tem alguns poderes como voo, telecinese, super força, invulnerabilidade, etc. Mas Matrix, apesar de ficção, utiliza as três Leis de Newton para compor o plano de fundo da saga, além da lenda do herói.

Vejamos:

Lei I: Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele.
Lei referência para o primeiro Matrix, onde o personagem sofre forças externas de Morpheus e Trinity para que se descubra como “O Escolhido”. Caso contrário, teria continuado como uma boa e velha bateria para as máquinas.

Lei II: A mudança de movimento é proporcional à força motora imprimida, e é produzida na direção de linha reta na qual aquela força é aplicada.
Aqui o herói se descobre e a força segundo a fé de Morpheus e a população de Sião o move em direção da terceira Lei.

Lei III: A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos.
“Tudo é fluxo e refluxo”.
Neo se vê em condição de escolha e opta por salvar a humanidade e as máquinas, simplesmente se anulando com agente Smith. E o loop reinicia.

Com esta breve sinopse de como vejo Matrix, podemos voltar a falar sobre a informação, pois tudo ali remete a este assunto.

Temos realmente o domínio sobre nossas escolhas nos dias de hoje com a necessidade de mais e mais informação? Estamos preparados para sermos expostos em troca de bytes de dados? Atrás de máquinas, continuaríamos humanizados? Continuamos humanizados?

Lucy em seu ápice, se entregou ao conhecimento e ao compartilhamento dele com aqueles que não detinham a capacidade de alcançá-lo de forma convencional. Ela, mesmo com consciência atemporal e o poder da informação em mãos, foi benévola. E se Lucy fosse uma empresa, uma multinacional? Um Google? Seria assim também, ou seríamos usados como baterias para alimentar a máquina do capitalismo? Já estamos, não?

Neo em Matrix, só vê o que é necessário para acabar com a guerra após entender sua origem e aceitar o seu fim. Seu poder era baseado na informação bruta, decodificada, e o entendimento e poder que detinha sobre ela. Assim como Lucy, Neo era humanizado? No final, ele era um programa, uma “máquina” com sentimentos, que ao ver o valor deles se pôs a defendê-los por um bem maior, pelo bem das máquinas, pelo bem dos humanos.

Estaríamos perdendo nossa humanidade sentados atrás de telas de LCD, alimentando nossas horas de ócio com um feed de redes sociais, abrindo mão de nós mesmos para sermos virtualmente aquilo que queríamos ser? Somos avatares de nós mesmos? Viva sua família, seus amigos, colegas de trabalho. Não abra mão de uma conversa cara a cara por um diálogo de chat no seu smartphone. Olhos ainda tem muito para dizer… seja humano!

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